
Ir além da lousa, do giz e das páginas de conteúdo para a quadra e o ar livre também é uma excelente forma de estudar. É pensando neste aspecto que o Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Dr. Milton Dortas, de Simão Dias, promoveu o ‘Projeto Abril Verde’, para alunos do 3° ano do Ensino Médio. O objetivo foi o desenvolvimento, durante todo o mês, de atividades voltadas ao combate do sedentarismo, com culminância ativa e divertida, ‘recheada’ de exercícios físicos para finalizar a ação, no fim deste mês.
Os estudantes exploraram uma série de temas que vão ao encontro da disciplina de Educação Física, ensinada pela professora Sanja Naiana. Questões envolvendo os padrões de beleza e estética, a importância da atividade física, a alimentação saudável e a saúde mental foram alguns deles. Todas estas pesquisas foram realizadas para a culminância do projeto, ocorrida no último sábado, 25, em que os alunos se reuniram em praça pública próxima a escola para um circuito esportivo. O momento foi marcado pela participação alegre dos alunos, com direito a prática do vôlei de areia e de esportes de atletismo, como as corridas de 100, 400 e 800 metros, arremesso de peso, lançamento de disco, salto em altura e salto em distância.
Como resultado da pesquisa de caráter ativo dos alunos, foram produzidos folders informativos, banners e vídeos criativos, os quais foram expostos na escola e publicados na internet. Cada semana, um grupo de alunos apresentava o resultado das suas pesquisas com estes materiais. A ideia era que os estudantes saíssem de receptores de conteúdo para procuradores e, principalmente, produtores, ativando o senso crítico quanto ao sedentarismo, problema de saúde pública mundial, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a professora de Educação Física, Sanja Naiana, a ideia de se fazer o projeto veio através de um movimento atípico dos estudantes em suas aulas. “Ele surge, inicialmente, de uma inquietação minha, enquanto professora. As minhas aulas práticas estavam extremamente esvaziadas. Os alunos não faziam mais questão de estarem na quadra, que era o ambiente mais cheio e atrativo para eles. Isso me inquietou, porque não era uma constante”, disse a professora, afirmando que pensou nesse projeto como uma forma de ativar a ação protagonista dos estudantes.
A professora acrescentou que a ideia dos estudantes serem ativos nas pesquisas torna-os críticos sobre o sedentarismo, assim como responsáveis por solucioná-lo em seu ambiente de convivência. “Pensar essa estratégia dentro da escola é essencial, porque é um dos espaços capazes de alcançar a grande parte dos jovens, de forma sistemática. O projeto funciona como estímulo, de maneira a despertar o interesse pela prática corporal, e mostra que o movimento pode ser prazeroso, acessível, e pode trazer uma qualidade de vida”, elencou.
Apesar de este ser um projeto em alusão ao mês de combate ao sedentarismo (Abril Verde), a professora destaca que a ideia é que novas ações como esta sejam realizadas durante o período letivo. Ela também reforça que outras atividades como essa são feitas na escola, em eletivas e outros projetos.
“Eu acredito que a escola é o espaço fundamental para promoção de saúde e de atividade física, porque a gente consegue atingir os jovens de forma contínua e estruturada. Pensando no Ensino Médio em Tempo Integral, o estudante passa mais tempo dentro da escola, e do ponto de vista científico, esse ambiente é estratégico para promoção de saúde, porque a gente junta educação, convivência social e formação de hábitos”, finaliza a professora Sanja Naiana.
Linguagens que movem o corpo
O projeto faz parte de uma série de outros projetos e ações desenvolvidas pelas disciplinas que compreendem a área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, uma das 4 que abrangem o Ensino Médio. O professor de artes e coordenador dessa área na escola, Carlos Marcelo, explica que o projeto é mais profundo do que uma pesquisa unida aos esportes. “Dentro da área de Linguagens, ele contribui diretamente para o desenvolvimento da expressão, da comunicação e da leitura do mundo dos alunos, só que por meio do corpo”, destaca.



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