
O Governo de São Paulo entregou nesta quinta-feira (30), em parceria com a prefeitura de Santos, 60 moradias do projeto-piloto Parque Palafitas. O plano inédito de urbanização no Brasil vai levar mais dignidade às famílias da Vila Gilda, localizada em área de mangue na zona noroeste do município. O projeto promove a recuperação ambiental e o bem-estar dos moradores, garantindo a manutenção de vínculos com a vizinhança e a proximidade ao trabalho e aos serviços públicos.
Com moradias construídas sobre as águas e completo sistema de infraestrutura, as unidades habitacionais são resultado de parceria entre o Estado, que repassou R$ 27,4 milhões via Secretaria de Governo e Relações Institucionais; contrapartida do município, que ficou também responsável pelas obras, e o governo federal, que cedeu a área.
O plano, elaborado pelo escritório do urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner (1937-2021), integra unidades habitacionais edificadas sobre lajes de concreto nas águas e um píer flutuante, com sistema de infraestrutura sustentável, com captação de energia solar para atendimento às áreas comuns.
“Hoje eu tenho aqui uma área que foi urbanizada, com saneamento básico, que vai oferecer moradias com dignidade. Tem comércio e tem espaço para reunião comunitária. É uma diferença enorme. Estamos transformando o bairro da Vila Gilda, o antigo Dique da Vila Gilda. O mangue faz parte da cultura caiçara. As pessoas têm direito de continuar morando aqui, mas sempre com dignidade. É por isso que ampliamos esse projeto e autorizamos mais 350 moradias em janeiro, quando visitamos essa área. Vamos atender mais pessoas e construir mais casas”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.
As obras do projeto-piloto contemplam seis conjuntos habitacionais, sendo quatro prédios de apartamentos, com 44 unidades, e dois de casas, cada um com oito residências térreas, sendo quatro para pessoas com deficiência (PcD). O projeto leva soluções centradas nas pessoas, além de mais sustentáveis, com captação de energia solar para atendimento às áreas comuns.

O plano inovador foi destaque no evento Smart City Expo World Congress, em Barcelona (Espanha), em 2024, apresentado pela arquiteta e urbanista Ariadne Daher, sócia do escritório Jaime Lerner. Também foi apresentado pela Prefeitura de Santos em 2022, durante a 14ª Conferência Anual da Rede de Cidades Criativas da Unesco, realizada no município da Baixada Santista.
“A Vila Gilda é lar de pessoas persistentes que a reconhecem como o local de dignidade, local de trabalho, de viver. É aqui que está a história dessas pessoas e a gente quer que elas permaneçam aqui, mas com sossego, com tranquilidade, com segurança, com casa própria, com policlínica, com centro da juventude e com o Bom Prato”, afirmou o prefeito de Santos, Rogério Santos.
Construído em uma área de 4 mil metros quadrados, o Parque Palafitas tem, além do núcleo residencial, dois blocos comerciais, um com quatro salas e o outro com três, que integram conjuntos sanitários (banheiros masculino e feminino), além de instalações para a associação de moradores.
As edificações comerciais possuem placas para captação de energia solar no telhado, que atenderão as áreas comuns. As calçadas são acessíveis e contam com piso em ladrilho hidráulico podotátil. Há área ajardinada e a iluminação está garantida por dois transformadores e quatro postes, com luminárias de LED e potência máxima de 350 watts.
Por estar inserido em área de mangue, o Palafitas foi construído em nível superior, de maneira a evitar alagamentos. O núcleo dispõe de fornecimento de água e captação de esgotos a cargo da Sabesp e conta com três caixas hidráulicas entre os prédios, sendo uma destinada à água de sabão (o líquido segue direto para o ramal de captação assentado na rua), outra para a água de esgoto (líquido que contém também gordura) e a terceira, para a coleta da água pluvial.
O sistema de combate a incêndios é integrado por extintores disponibilizados em todos os prédios e central de alarme nas edificações de três e quatro andares, que também contam com hidrantes.
Cada apartamento do Parque Palafitas tem 41,6 m² de área privativa, com sala, dois quartos, cozinha conjugada com lavanderia, banheiro (2,31m²) e área de circulação. Doze casas dispõem, cada uma, de 48,06m² de área construída, com sala de estar e jantar integrados, cozinha, área de serviço, dois quartos, banheiro e varanda dos fundos.
As quatro casas para pessoas com deficiência contam com sala, dois dormitórios, cozinha, banheiro e área de serviço. Todas as habitações dispõem de piso cerâmico, paredes de gesso acartonado (drywall), cimento polido na área de serviço e revestimento cerâmico nas áreas molhadas.

O projeto de revitalização começou a ser viabilizado mediante a utilização da metodologia de estaqueamento com laje, aplicada em outros países e semelhante à empregada na construção de terminais portuários.
São sete lajes de apoio, concretadas sobre 212 estacas com blocos de fundação, fincadas a uma profundidade entre 30 e 35 metros. Elas foram executadas com vigas em concreto armado moldadas no local e lajes pré-moldadas, que têm ainda uma camada de consolidação com tela soldada e concreto usinado.
O entorno da área das lajes suspensas sobre o mangue conta com proteção de guarda-corpo com peças de cobogó, protegendo os moradores do conjunto de casas térreas do mangue. Outra parte do guarda-corpo é em estrutura metálica. No total, serão 205 metros de extensão de guarda-corpos.

Entre as obras a cargo da Prefeitura estava a construção do novo sistema viário e da infraestrutura urbana no entorno do Parque Palafitas.
As obras envolveram limpeza e demolições em 3.307,41m² de terreno, terraplenagem e nivelamento da área e instalação de sistema de drenagem com 181,70 m de tubulações de polietileno de alta densidade (500 a 800 milímetros de diâmetro) e bocas de lobo, sendo 16 simples e três duplas, além de um poço de visita para facilitar vistorias e limpeza nesse trecho da rede.
As melhorias incluem ainda a pavimentação asfáltica em aproximadamente 850m² da Avenida Jornalista Armando Gomes (antiga Beira-Rio), entre a rotatória e a Rua Joaquim Teixeira de Carvalho, que vai facilitar o acesso ao núcleo residencial.
Em janeiro, o Governo de São Paulo assinou convênio de R$ 77 milhões com a Prefeitura de Santos e a Companhia de Habitação da Baixada Santista (Cohab-ST) para a construção de mais 350 unidades habitacionais na Vila Gilda.
O acordo viabiliza o repasse de recursos estaduais para a execução das obras de edificação das novas unidades, que serão conduzidas pela Cohab-ST, com o objetivo de garantir moradia definitiva a famílias que hoje vivem em áreas inundáveis e em condições de alta vulnerabilidade socioambiental.
A fundação dos imóveis será realizada pelo município, em parceria com o Governo Federal. As novas unidades serão implantadas nas Áreas A e B do território, com 176 moradias em uma área e 174 na outra. As famílias beneficiadas com as moradias serão indicadas pela Prefeitura.
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