
O Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, no bairro do Arenoso, em Salvador, realizou, nesta terça-feira (12), uma palestra sobre empreendedorismo negro e educação antirracista, dentro da programação do Projeto Maio Antirracista. A atividade reuniu estudantes, professores e convidados em debates sobre ancestralidade, racismo estrutural, identidade negra e papel da educação na transformação de vidas.
Localizada em uma área que integrou o antigo Quilombo do Beiru, a unidade escolar promove, ao longo do mês, rodas de conversa, oficinas e atividades pedagógicas voltadas à valorização da cultura afro-brasileira e ao enfrentamento da discriminação racial. Idealizadora do projeto e professora de Biologia, Taís Danila destacou a importância de discutir essas questões no ambiente escolar. “Não poderíamos deixar de trabalhar, pedagogicamente, temas ligados ao racismo estrutural e às desigualdades sociais presentes em nossa vivência.”
A programação contou com a participação da empresária Vanessa Henrique, CEO das marcas Báraó Tecidos e Engome e Passe Óia, empreendimento negro nascido na Feira de São Joaquim e inspirado em saberes ancestrais, transmitidos por mulheres da sua família há mais de 100 anos. Ex-estudante da rede pública, ela destacou como a educação foi decisiva em sua trajetória e na construção de oportunidades. “A escola despertou em mim a confiança para construir um futuro diferente. Hoje, quero que meninas e mulheres negras entendam que podem ocupar qualquer espaço, transformar suas histórias e enxergar no conhecimento um caminho de liberdade e autonomia”, destacou.
As discussões despertaram nos estudantes reflexões sobre futuro, autonomia e oportunidades. Evellyn Samara, da 2ª série do Ensino Médio, afirmou que a palestra incentivou os jovens a acreditarem nos próprios sonhos e a investirem na qualificação profissional. “Fomos motivados a aprimorar nossos estudos e buscar cursos que contribuam para o nosso desenvolvimento e para a construção de um futuro diferente.”
Para Luan de Sousa Ribeiro, também da 2ª série, os debates aproximaram passado e presente ao relacionar empreendedorismo, resistência e luta por liberdade. “A abordagem sobre a escravidão mostrou como muitos negros buscavam independência por meio do trabalho e da comercialização de alimentos. Essa iniciativa, de certa forma, ainda se conecta com a realidade contemporânea”, disse.
Fonte: Ascom/SEC
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