
O som da sanfona ganhou protagonismo na noite dessa quinta-feira, 28, durante a programação da Salva Junina, evento que abriu o ciclo junino no estado, realizado no Complexo Cultural Gonzagão. A apresentação das alunas do projeto Sanfoneiras de Sergipe, formado exclusivamente por mulheres, marcou o encerramento do primeiro ciclo de formação prática e teórica desenvolvido pela iniciativa do Governo do Estado, através da parceria entre a Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM) e Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic).
Desde novembro de 2025, 30 participantes passaram por encontros voltados ao aprendizado técnico do instrumento, prática coletiva e desenvolvimento artístico. Ao longo de seis meses, mulheres de diferentes idades construíram repertórios, trocaram experiências e ocuparam um espaço historicamente marcado pela predominância masculina no forró tradicional.
Durante a cerimônia, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, destacou a importância da iniciativa para a preservação da cultura popular e para a formação de novas gerações de sanfoneiras. “A gente, para dançar, precisa da sanfona, e, agora, temos mulheres ocupando esse espaço e mostrando a força da nossa cultura. Esse projeto vem para preservar a tradição do forró e incentivar novas gerações a aprenderem a tocar sanfona e manterem viva a nossa história”, afirmou.
O presidente da Funcap, Gustavo Paixão, avaliou o impacto do projeto para a cultura sergipana. “Esta é uma noite que ficará marcada na história de Sergipe, que tem muito a ganhar com esses novos talentos. A apresentação marca o início de uma nova trajetória para essas mulheres que acreditaram nos próprios sonhos e encontraram na música um espaço de expressão e pertencimento”, destacou.
A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, também ressaltou o alcance social da iniciativa. “A primeira edição já mostra que é um projeto que deu certo. Conseguimos ampliar a visibilidade dessas mulheres, fortalecer trajetórias e, ao mesmo tempo, contribuir para a preservação da cultura popular sergipana”, salientou.
Primeira apresentação
A apresentação integrou a programação da Salva Junina, evento que reúne manifestações ligadas ao forró, às quadrilhas juninas e à cultura popular nordestina. Divididas em três turmas, as alunas executaram músicas trabalhadas ao longo do processo formativo.
A turma Aglaé Fontes abriu as apresentações com “Anunciação”. Em seguida, a turma Geunice Madrinha interpretou “Eu Só Quero um Xodó”. O encerramento ficou por conta da turma Gerusa Sanfoneira, que apresentou “Asa Branca”, um dos maiores clássicos da música nordestina.
O palco também recebeu participações da instrumentista Kesia Rodrigues e do Trio Dona Lia. A programação contou, ainda, com leitura de cordéis escritos pela aluna Agricimara Lima.
O músico e professor Lucas Campelo, responsável pela condução das aulas e ensaios, destacou o envolvimento das participantes ao longo do processo. “Ver a dedicação dessas mulheres durante seis meses e acompanhar o resultado dessa apresentação é muito emocionante. Elas tiveram oportunidade, estrutura e responderam com esforço, disciplina e muita vontade de aprender. Hoje, deram um show que emocionou o público e toda a equipe envolvida no projeto”, afirmou.
Lucas também ressaltou o impacto social construído a partir da convivência coletiva proporcionada pelas aulas. “Existe um aspecto afetivo muito forte. São mulheres que se encontram, compartilham histórias e fortalecem um sentimento de comunidade através da música. Mesmo diante das dificuldades, elas seguiram motivadas e mostraram a força desse processo coletivo”, completou.
Alunas comemoram encerramento do ciclo
Para as participantes, a apresentação representou a realização de um sonho e a consolidação do aprendizado construído durante os meses de formação. Para a cantora Erica Barboza foi um momento marcante. “Hoje foi um dia muito feliz e honroso. Essa apresentação reafirma ainda mais a minha identidade sergipana e nordestina. Estou muito feliz e realizada”, contou.
A aluna Joza Rosa também destacou a emoção de tocar sanfona pela primeira vez diante do público. “Foi uma experiência maravilhosa. Sempre gostei da sanfona e, agora, viver isso, na prática, é a realização de um sonho. É um instrumento difícil, mas conseguimos mostrar a nossa força como mulheres nordestinas”, pontuou.







Mín. 24° Máx. 27°