
Profissionais da Unidade de Saúde Nestor Guimarães participaram, nesta segunda-feira (1º), de uma ação do Projeto Giro da Educação com a temática “Gordofobia”, iniciativa desenvolvida pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em parceria com o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde. A proposta é ampliar o debate sobre o estigma do peso e os impactos desse preconceito na produção do cuidado em saúde, especialmente na Atenção Primária.

A atividade promoveu a exibição de um minidocumentário gravado em Vitória da Conquista, seguido por uma roda de conversa com os profissionais da unidade. O objetivo foi provocar reflexões sobre práticas de cuidado mais acolhedoras, éticas e humanizadas para pessoas com corpos maiores (pessoas gordas e plus sise).
Segundo a nutricionista e mestranda em Saúde Coletiva, Ana Paula Soares, a gordofobia ainda afasta muitas pessoas dos serviços de saúde. “Tem muitos estudos mostrando que pessoas que vivenciam experiências de estigma do peso e de gordofobia desenvolvem mais ansiedade, depressão e se afastam dos serviços de saúde. São pessoas que precisariam estar mais perto dos profissionais, mas acabam se afastando porque não se sentem bem-vindas”, destacou.
Ela explicou ainda que o projeto busca tornar esse tema mais visível dentro das unidades de saúde. “A nossa ideia é tirar esse tema do invisível, trazer para a mesa e construir propostas de um cuidado mais integral, humano e acolhedor”, afirmou.
Para a enfermeira Elaine Patrícia Fernandes, da unidade Nestor Guimarães, o diferencial da discussão está em enxergar além do peso corporal. “Não é simplesmente cuidar de um corpo acima do peso. A gente está cuidando de um indivíduo, com rotina, dificuldades, emoções e uma realidade própria. O cuidado precisa considerar tudo isso”, ressaltou.
A agente comunitária de saúde, Valdineia Alves, também destacou a importância da capacitação para fortalecer o atendimento integral aos pacientes. “Muitas vezes o profissional trata apenas a queixa principal e deixa a obesidade de lado. Essa capacitação ajuda a ampliar o olhar sobre o paciente como um todo”, comentou.
De acordo com a docente da Ufba, Poliana Cardoso Martins, a iniciativa integra um projeto de extensão universitária voltado à redução da gordofobia nas práticas de cuidado em saúde. “O documentário mostra o quanto essa violência é estrutural e como nós, profissionais de saúde, precisamos rever práticas para acolher e tratar com respeito, cuidado e ética pessoas com todos os corpos”, pontuou.
A ação será realizada inicialmente em cinco unidades de saúde do município, com participação de equipes multiprofissionais, e a expectativa é ampliar posteriormente o debate para toda a rede municipal de saúde.
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