
As curvas do Rio São Francisco e as cores do barro, agora, estão eternizadas em um selo oficial. Na última terça-feira, 2, Santana do São Francisco celebrou o lançamento da Indicação Geográfica (IG) para o seu tradicional artesanato em barro, concessão conferida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A cerimônia, realizada no Centro Comercial de Artesanato do município, marca o segundo registro de IG em Sergipe – o primeiro foi a Renda Irlandesa de Divina Pastora – e é resultado de uma articulação estratégica entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a prefeitura municipal.
Os selos de Indicação Geográfica funcionam como uma ferramenta de proteção e valorização territorial. Eles atestam que um produto possui qualidade, reputação e características únicas estritamente ligadas à sua origem. Com essa certificação, as peças locais ganham um forte diferencial competitivo de mercado e proteção jurídica, impedindo o uso indevido da fama do município por produtores de outras regiões, além de promover a inclusão social e o turismo na região reconhecida.
A diretora de Artesanato da Seteem, Daiane Santana, enfatizou que o reconhecimento consolida o compromisso do Governo de Sergipe com o fortalecimento do artesanato local e a preservação cultural. “Estamos aqui em Santana de São Francisco, em um dia totalmente histórico. Estamos aqui com os artesãos, entregando o selo do IG do artesanato em barro de Santana de São Francisco, garantindo o compromisso do Governo do Estado, da Secretaria de Estado do Trabalho, para que possamos desenvolver economicamente ainda mais essa cidade belíssima, para que possamos criar novas oportunidades de geração de emprego e renda para todos os artesãos desta cidade e tenham sempre a certeza que nós estaremos sempre com vocês”, ressaltou.
Quem molda a matéria-prima diariamente enxerga na certificação a colheita de um trabalho que começou a ser desenhado há dois anos.
O artesão Douglas Moura, presidente da Associação dos Artesãos de Barro de Santana do São Francisco, relembrou a caminhada até a conquista. “É um momento muito especial e vamos comemorar a nossa conquista da IG de Santana de São Francisco. Essa IG é muito importante para a gente, ela vai nos representar, vai agregar valor às nossas peças, vai abrir novos leques de oportunidades para a gente. Passamos por um processo pelo INPI para conseguir esse selo. Desde 2024, com essa parceria Sebrae, Prefeitura de Santana de São Francisco, Governo do Estado, a Seteem, estamos buscando esse selo, e, graças a Deus, em fevereiro, conseguimos nosso selo. E hoje é um dia marcante para todos nós de Santana, porque vamos conseguir melhorar nossa produção, ter algo melhor para apresentar ao público e para o mundo”, pontuou.
O presidente da associação relembra as origens e fala do esforço de manter viva a tradição cultural da cidade, que é oficialmente reconhecida como a “Capital Sergipana do Artesanato de Barro”. “Sou filho de artesão e carrego comigo, no sangue, o artesanato. Sempre busco incentivar e ensinar aos jovens a trabalharem com artesanato, a mudarem a situação, a realidade da nossa Santana de cada vez ter menos artesãos. Incentivar e ensinar é uma forma de a gente manter nossa cultura. Quero dizer também que nossa participação aqui é coletiva, é de todos, então, não vamos deixar nossa cultura morrer, não vamos deixar que isso se acabe”, enfatizou Douglas.
O artesão Luiz Carlos, mais conhecido como ‘Lulu’, apresentando uma de suas obras mais conhecidas, o vaso-caju, celebrou o novo patamar alcançado pelo município. “É um prazer imenso estar participando da Associação dos Artesãos de Barro de Santana do São Francisco, agora, com Indicação Geográfica. Acredito que esse selo vai agregar valor, vai agregar visibilidade, vai fomentar mais e mais aqui nosso artesanato de Santana de São Francisco, nossa regionalidade, nossa cultura”, celebrou.
Por trás da conquista impressa no selo, há um minucioso processo técnico de validação que mobilizou especialistas e a comunidade. A analista do Sebrae e responsável direta pelo projeto de estruturação, Ângela Souza, detalhou as etapas que antecedem a concessão do INPI. “Uma alegria estarmos aqui depois de bons meses de trabalho para fazer essa entrega à sociedade de um reconhecimento porque a IG é um reconhecimento. Inicialmente, o Sebrae faz um diagnóstico para ver se há uma possibilidade mesmo daquele território, que tem um produto que ficou famoso por causa da sua qualidade, da sua autenticidade, ter a IG. Então, se o diagnóstico der positivo, a gente segue em frente a um processo que é chamado de estruturação, que é justamente juntar os artesãos, juntar os parceiros, verificar se há interesse, reunir toda a documentação, explicar o que é uma Indicação Geográfica, mostrar toda a responsabilidade que isso traz e também todos os ganhos que a IG pode trazer também”, explicou.
Ela afirmou, ainda, que o momento coroa a dedicação histórica de Santana do São Francisco em manter um padrão de excelência reconhecido nacionalmente. “Esse momento de entrega simbólica do selo de reconhecimento de identificação geográfica para o artesanato de barro de Santana de São Francisco é um momento histórico, importante, que mostra todo o esforço que os artesãos fazem para manter viva a tradição de fazer artesanato de qualidade, com muita beleza, para estar eternizando o que é que tem essa cidade de bonito através das mãos talentosas deles. Hoje é um dia importante em que ficamos muito felizes de estar contribuindo para esse crescimento e reconhecimento do artesanato de Santana”, concluiu Ângela.



















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