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Quadrilhas juninas destacam a sergipanidade em suas narrativas na terceira noite do Arranca Unha

Temas apresentados ao público exaltaram festas, personagens, cidades e manifestações culturais de Sergipe, no Centro de Criatividade

26/06/2026 às 08h36
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Fotos: João Victor
Fotos: João Victor

Engana-se quem pensa que quadrilha junina se resume a casamento caipira, xote, xaxado e baião. Em Sergipe, os grupos também utilizam o tablado para contar histórias, recuperar memórias e homenagear personagens, festas, cidades e símbolos que ajudam a expressar a identidade sergipana. Na terceira noite classificatória do Concurso de Quadrilhas Juninas do Arranca Unha, realizada nessa quinta-feira, 25, sete quadrilhas apresentaram temas que dialogam diretamente com a cultura do estado, em enredos que misturam identidade, pertencimento e orgulho.

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Subiram ao palco do Centro de Criatividade as quadrilhas Encanto do Matuto, Raio da Silibrina, Rosa Dourada, Meu Sertão, Pisa na Brasa, Unidos do Arrasta Pé e Unidos em Asa Branca. O concurso integra a programação oficial do Ciclo Junino do Governo de Sergipe e é realizado por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap).

Para a assessora técnica de Cultura da Funcap, Grazzy Coutinho, a edição deste ano demonstra uma aproximação ainda maior entre as narrativas apresentadas pelas quadrilhas e a realidade cultural de Sergipe. “Estamos muito felizes com os temas apresentados este ano. São assuntos importantes para a cultura do estado, verdadeiras aulas sobre sergipanidade, identidade cultural e a importância dos nossos festejos. Embora este aspecto não seja um critério de avaliação, as quadrilhas estão, por iniciativa própria, falando sobre Sergipe a cada noite. Isto amplia o conhecimento da população sergipana e também dos turistas sobre a nossa cultura”, avaliou.

O Concurso de Quadrilhas Juninas do Arranca Unha segue nesta sexta-feira, 26, a partir das 20h, com a quarta e última noite classificatória. Sobem ao palco as quadrilhas Asa Branca, Meu Xodó, Raízes do Sertão, Retirantes do Sertão, Chapéu de Couro, Luar Junina e Pioneiros da Roça.

As semifinais serão realizadas nos dias 27 e 28 de junho. A grande final acontece no dia 29, quando será conhecida a campeã do Concurso de Quadrilhas Juninas do Arranca Unha 2026.

Sergipanidade no tablado

Entre os exemplos desta sergipanidade em cena está a quadrilha Século XX, campeã do Concurso de Quadrilhas Juninas do Gonzagão, que abriu a temporada com o tema ‘Festeiros’. O enredo trouxe para a arena uma história de amor ambientada nos festejos juninos de Aracaju, em meio ao Arraiá do Povo, ao barco de fogo, às fogueiras e a outras tradições que marcam o São João sergipano.

Integrante da Século XX, o quadrilheiro Netto Andrade disse que as referências ao estado aparecem desde os figurinos até os passos e elementos cênicos. “Desde o início da apresentação trazemos elementos que mostram a sergipanidade e o orgulho de ser sergipano. Isto aparece na roupa do marcador, que tem a bandeira de Sergipe, e em passos tradicionais, como a ciranda. Nas evoluções, apresentamos o arraial com as bandeirinhas, o barco de fogo de Estância na entrada da rainha, os buscapés e a guerra de espadas durante o xaxado. Também levamos o pandeiro como elemento da nossa cultura e uma música de Mestrinho, artista sergipano, além de um repertório junino com ritmos nordestinos”, detalhou.

O grupo também levou o enredo para o concurso regional Levanta Poeira, realizado em Pernambuco. Para Netto, apresentar essas referências fora do estado amplia a visibilidade da cultura sergipana. “Fico muito feliz e honrado em saber que a quadrilha está levando Sergipe por meio de todos esses elementos. A apresentação foi muito bem recebida e representou o estado de uma maneira bonita. Ser sergipano, dançar em uma quadrilha tão tradicional e levar passos que hoje já não aparecem em muitos grupos mostra a força cultural de Sergipe”, afirmou.

A quadrilha Raio da Silibrina levou ao tablado o tema ‘Guardiões da Tradição’, um tributo à Silibrina, manifestação realizada em Lagarto no dia 31 de maio e que marca simbolicamente o início do ciclo junino no município. A apresentação homenageia a guerra de espadas, a queima de fogos e, principalmente, a tirada do mastro, quando a população percorre as ruas em busca da árvore que será erguida como mastro de São João.

O marcador Antônio Clécio destacou que a manifestação reúne elementos da cultura popular lagartense e também estabelece relações com tradições presentes em outros municípios. “É uma festa carregada de identidade, cultura popular e sergipanidade. Embora seja uma tradição de Lagarto, ela se comunica com manifestações que acontecem em outras cidades do nosso estado”, declarou.

Para Antônio Clécio, levar estas histórias aos concursos ajuda o público a conhecer a diversidade cultural de Sergipe. “Percebo que as quadrilhas sergipanas estão cada vez mais interessadas em apresentar temas que valorizam nossa identidade e nossa história. É importante pesquisar e construir espetáculos que tenham características sergipanas. Podemos buscar referências de outros estados, mas precisamos mostrar o que é de Lagarto, de Estância, de São Cristóvão, de Japaratuba e de outros lugares que são berços da cultura popular. Assim, mostramos ao Nordeste e ao Brasil como Sergipe é rico e diverso culturalmente”, completou.

A Encanto do Matuto apresentou um enredo inspirado numa história do cangaço, ambientada no povoado Angico, em Poço Redondo. Com o tema ‘Quando o chão sangra, o povo luta, dança e não se cala’, a quadrilha conta a trajetória de uma menina que, após ter os pais assassinados por um coronel, decide se passar por homem para ingressar no cangaço em busca de justiça.

O marcador Vaniclecio Tavares informou que o grupo buscou destacar a história e a cultura do sertão sergipano. “Nossa quadrilha priorizou a sergipanidade ao apresentar uma história ambientada em Angico, para que este lugar e sua memória sejam cada vez mais conhecidos e valorizados. Os concursos abrem espaço para que os grupos levantem a bandeira da sergipanidade, e a nossa cultura ganha muito com isso”, afirmou.

Resultado 

Na terceira noite classificatória, garantiram vaga nas semifinais as quadrilhas Unidos em Asa Branca, Raio da Silibrina e Meu Sertão. Já os grupos Unidos do Arrasta Pé, Encanto do Matuto, Pisa na Brasa e Rosa Dourada encerraram sua participação na competição.

Antônio Clécio
Antônio Clécio
Netto Andrade
Netto Andrade
A assessora técnica de Cultura da Funcap, Grazzy Coutinho
A assessora técnica de Cultura da Funcap, Grazzy Coutinho
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