
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou, nesta segunda-feira, 19, a primeira turma de capacitação sobre estratificação de risco e manejo de urgências psiquiátricas nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que integram a rede municipal de saúde. A atividade é voltada principalmente aos enfermeiros desses serviços e também contempla outros profissionais de saúde mental, com o objetivo de qualificar a identificação de situações de crise, a avaliação das necessidades dos usuários e a definição das condutas assistenciais adequadas.
A formação aborda o manejo de crises em saúde mental a partir da avaliação dos riscos e das necessidades de cada usuário, considerando as particularidades de cada situação. A proposta também envolve a discussão de estratégias de acolhimento e encaminhamento, para auxiliar os profissionais a identificar quando o atendimento pode ocorrer no próprio Caps ou quando há necessidade de direcionamento para outros pontos da rede de atenção. A iniciativa integra as ações de qualificação da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que dialogam com a elaboração de um guia de atenção à crise e o desenvolvimento de uma linha de cuidado em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein.
A responsável técnica pelas linhas de cuidado da Saúde Mental da SES, Suely Matos, explicou que a capacitação busca ampliar os recursos técnicos disponíveis aos profissionais para o acolhimento, avaliação e qualificação do cuidado aos usuários em sofrimento psíquico intenso nos episódios de crise. “Estratificar risco e necessidade em saúde mental não significa olhar apenas para os aspectos orgânicos e psiquiátricos. É necessário considerar todo o contexto de vida que interfere no processo de saúde e adoecimento, incluindo o território onde a pessoa vive e suas relações com esse ambiente. Esse olhar ampliado e multifatorial é fundamental para compreender cada situação”, destacou.
O enfermeiro que atua na cidade de Itabaiana Marconny Veríssimo ressaltou que a atualização contribui para diferenciar os níveis de necessidade dos usuários e definir o encaminhamento mais adequado. “A capacitação é importante para identificar a necessidade de cada paciente, reconhecer quando se trata de uma urgência psiquiátrica e realizar o acolhimento de forma adequada. A partir dessa avaliação, conseguimos direcionar o usuário para o serviço indicado, seja o Caps, a urgência psiquiátrica ou a Atenção Básica”, afirmou.
A enfermeira Maria Isabela de Ferreira destacou a educação permanente como parte da qualificação do trabalho nos serviços especializados. Segundo ela, a troca de experiências entre profissionais com diferentes tempos de atuação contribui para ampliar o conhecimento técnico e adaptar as intervenções às necessidades individuais.
“Nenhum caso é igual ao outro. Cada situação exige conhecimento técnico para que possamos ajustar o plano terapêutico e a intervenção necessária naquele momento. A discussão entre profissionais permite construir novas perspectivas e desenvolver uma abordagem mais adequada às particularidades dos usuários”, pontuou.





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