
O Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o Dia Nacional de Prevenção ao AVC são celebrados nesta quinta-feira, 29. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça a importância de adotar hábitos saudáveis, bem como estar atento aos primeiros sinais da doença para buscar ajuda médica o mais rápido possível. Em Sergipe, o programa Alerta AVC, iniciativa do Governo do Estado, por meio da SES, contribui para o fortalecimento da rede de atendimento de urgência em casos da doença, diminuindo o tempo-resposta nessas ocorrências.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido por derrame, é uma das principais causas de morte, incapacitação e internações em todo o mundo, além de atingir, em sua maioria, a população masculina. O AVC acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. Ele pode ser dividido em dois tipos: o isquêmico, que é o mais comum e ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais; e o hemorrágico, que tem uma menor taxa de ocorrência e acontece quando um vaso cerebral se rompe, provocando hemorragia.
Hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol alto, obesidade, tabagismo, sedentarismo, uso de drogas ilícitas e histórico familiar são alguns dos fatores de risco que contribuem para o aparecimento do AVC. Manter um estilo de vida com práticas saudáveis como exercícios físicos, tratamento de comorbidades, boa alimentação e não consumo de álcool e drogas, colabora com a prevenção e diminui os riscos do AVC.
É importante que a população fique atenta aos sinais mais comuns do AVC: confusão mental súbita; tontura sem ânsia de vômito; alteração na face (assimetria facial), na visão, na fala e do equilíbrio; e fraqueza ou formigamento em um lado do corpo (rosto, braço ou perna). Ao perceber esses sintomas, a pessoa deve se dirigir imediatamente a uma unidade de urgência ou ligar para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu 192) e Corpo de Bombeiros (193).
O neurologista clínico e coordenador do programa Alerta AVC, Helton Benevides, destaca a importância de procurar atendimento médico no início dos sintomas. “Nós temos um tempo para tentar reverter o AVC agudo, então quanto mais rápido o paciente chega ao hospital, mais rápido também realizamos a tomografia, identificamos o AVC e podemos agir de acordo com aquele caso”, explicou.
Ainda segundo o médico, nos casos de AVC isquêmico, existe uma janela de tempo padrão de até quatro horas e 30 minutos a partir do início dos sintomas para que a equipe possa realizar a administração de uma medicação específica que reduz as sequelas no paciente. “Focamos e falamos muito no AVC isquêmico porque ele corresponde a 85% dos casos de AVC. Então, quando realizamos a tomografia, descartamos sangramento, avaliamos o contexto de AVC isquêmico e, caso o paciente esteja dentro dessa janela, podemos administrar um medicamento trombolítico para reverter ou melhorar boa parte desses sintomas súbitos e aumentar as chances de recuperação”, ressaltou.
Alerta AVC
O Alerta AVC é uma iniciativa do Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), lançado em março deste ano e vem fortalecendo a linha de cuidado ao AVC em todo o território sergipano. A estratégia utiliza tecnologia digital, telemedicina e integração entre hospitais, unidades de pronto atendimento, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe), Central de Regulação e equipes especializadas para ampliar o acesso ao tratamento adequado no menor tempo possível. A ação integra investimentos do Governo do Estado na modernização da rede de urgência e emergência, garantindo mais agilidade, eficiência e redução de sequelas em pacientes acometidos por AVC.
O programa conta com o aplicativo Join, que dispõe de médicos de plantão 24 horas por dia. Com a ferramenta, as unidades de saúde pública conseguem organizar o atendimento de pacientes com sintomas de AVC de forma mais rápida e precisa. Além disso, aquelas unidades que não possuem neurologistas em sua equipe, podem receber orientações, através do aplicativo, em casos de urgência.
Desde março de 2026, o Alerta AVC já realizou 661 atendimentos de pacientes com suspeita de AVC. Entre os pacientes atendidos, houve predominância de homens na faixa etária de 70 a 79 anos. Dos casos confirmados, 397 foram classificados como AVCs isquêmicos e 35 como hemorrágicos. Além disso, a trombólise intravenosa foi administrada em 55 casos.
“O Alerta AVC veio para descentralizar o atendimento e otimizar o tempo de tratamento, evitando que pacientes do interior precisem se deslocar durante a janela de quatro horas e meia para o tratamento do AVC agudo. O programa capacita equipes dos hospitais regionais que dispõem de tomografia para diagnosticar o quadro e administrar o trombolítico, quando indicado. Com o aplicativo Join, conectamos neurologistas e equipes da ponta para agilizar decisões, verificar a disponibilidade de tomografia e medicação e organizar transferências, inclusive aeromédicas, quando necessário”, explicou o neurologista clínico e coordenador do programa Alerta AVC, Helton Benevides.
A rede estadual de saúde pública de Sergipe conta com uma integração entre equipes profissionais, unidades e serviços de urgência para o atendimento em casos de AVC. Em ocorrências que exigem maior agilidade, o Serviço Aeromédico do Governo do Estado dispõe de dois helicópteros para atender a população nesses casos. Além disso, os Hospitais Regionais de Nossa Senhora da Glória, Estância e Itabaiana; e o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), gerenciados pela SES, possuem aparelho de tomografia computadorizada para identificação do AVC. O Hospital Universitário de Lagarto (HUL), de responsabilidade do Governo Federal, também realiza o exame nesses casos.







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