A sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado, um desafio diário para milhares de famílias baianas, é o alvo de uma nova indicação apresentada na ALBA. De autoria da deputada Kátia Oliveira (UB), o documento sugere ao Governo do Estado a criação do Programa Estadual Lavanderia Cidadã, iniciativa que prevê a instalação de lavanderias públicas comunitárias em áreas de alta vulnerabilidade econômica, com foco especial no apoio a mulheres chefes de família e mães solo.
A proposta busca ir além da infraestrutura básica, propondo uma política pública voltada à dignidade, à otimização do tempo e à autonomia financeira da população de baixa renda.
A justificativa da indicação toca em uma realidade social amplamente debatida e que ganhou destaque nacional ao ser escolhida como tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2023. A deputada justifica o projeto com dados da ONG Think Olga, que apontam que as mulheres no Brasil dedicam, em média, 21 horas por semana a afazeres domésticos não remunerados.
A lavagem e secagem de roupas é destacada no texto como uma das atividades mais desgastantes, exigindo tempo, esforço físico e impactando o orçamento familiar através do consumo de água e energia elétrica. “Essa rotina acaba por limitar as oportunidades de muitas mulheres de buscar qualificação, entrar no mercado de trabalho ou até mesmo ter momentos de lazer e convivência familiar”, disse.
A indicação orienta o Governo do Estado a priorizar bairros periféricos, comunidades tradicionais e regiões com baixo acesso a serviços básicos. Para garantir a efetividade da medida, a proposta prevê diálogo prévio com as comunidades para definir a melhor localização e a viabilidade de funcionamento em turnos flexíveis, como no período noturno e aos finais de semana.
A estrutura das Lavanderias Cidadãs deverá contar com máquinas de lavar industriais e secadoras. Deve ter o acesso facilitado, com uso gratuito ou a baixo custo para famílias inscritas em programas sociais. Deve ter foco na convivência, com a criação de espaços comunitários para integração e apoio mútuo durante a lavagem das roupas.
No documento, ela sugere que o programa seja articulado principalmente pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades). Mais do que fornecer o maquinário, o objetivo é que essas lavanderias funcionem como “hubs” sociais.
A deputada defende que o programa seja integrado a políticas de capacitação profissional, assistência social e empreendedorismo feminino. Há também a previsão de que a gestão e manutenção dos espaços ocorra de forma compartilhada, por meio de parcerias com prefeituras, associações comunitárias, cooperativas locais e organizações da sociedade civil.
Para a deputada Kátia Oliveira, a implementação do Lavanderia Cidadã representa “uma medida simples, porém de grande impacto social, que reconhece o valor do tempo e do trabalho das mulheres que sustentam seus lares”, promovendo de forma prática a inclusão social e o desenvolvimento humano na Bahia.
Reportagem: Joana Vitória
Edição: Franciel Cruz