
O Teatro Atheneu, de Aracaju, recebeu, na tarde desta quarta-feira, 29, uma palestra da cientista brasileira Rebeca Gonçalves, a primeira do Brasil a realizar estudos e publicações sobre agricultura espacial, baseado no cultivo de culturas terrestres em solo idêntico ao do planeta Marte. A cientista, que já trabalhou na Nasa, fez a sua educação básica na Escola Rudolf Steiner, de São Paulo, que adota a pedagogia Waldorf, método de interesse da Secretaria de Estado da Educação (Seed) para aplicar nas escolas-creche do Programa de Apoio aos Municípios para a Expansão da Educação Infantil (Ameei).
Na ocasião, estudantes dos ensinos Fundamental e Médio do Centro de Excelência Atheneu Sergipense acompanharam de perto as explicações da cientista graduada em Biologia pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, e com mestrado em Astrobiologia pela Universidade de Wageningen, na Holanda. Os alunos interagiram com perguntas sobre aspectos variados do espaço e do cultivo de plantas em solos extraterrestres, além de participarem de mini atividades no palco sobre a distância dos planetas.
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Educação da Primeira Infância (Nepi) e responsável pelo Ameei, Lívia dos Anjos, a palestra foi uma grande oportunidade de apresentar aos estudantes sergipanos um fruto da pedagogia Waldorf. “A Rebeca tem, na base da sua formação da primeira infância, esta pedagogia. Então, a gente trouxe uma filha de sucesso deste método, que conseguiu se destacar na ciência, trabalhando na Nasa. Por isso, ela chega para fazer um incentivo ao estudante da escola pública, de até onde eles podem chegar”, afirmou.
A astrobióloga, que também trabalhou na Agência Espacial Europeia (ESA), conta que a metodologia Waldorf foi fundamental para a sua formação acadêmica. “Ela foi muito importante para mim. Eu sempre me diferenciei por ser aluna Waldorf, porque eu tenho bastante essa parte criativa, de fazer as coisas com a mão, de pensar ‘fora da caixa’, de criar coisas, além da criatividade, da inteligência emocional e interpessoal que o aluno Waldorf tem. Tudo isso é desenvolvido neste aluno, então foi muito importante para mim”, comentou.
Metodologia Waldorf em Sergipe
A ideia é que o método Waldorf seja aplicado nas creches-escola que serão implantadas nos 75 municípios sergipanos, como uma forma de desenvolver as crianças a partir da autonomia, com o respeito às capacidades físicas, intelectuais e espirituais de cada uma. O estudante, nesta pedagogia, ganha autonomia para aprender e o professor se torna um facilitador da sua aprendizagem.
Em Sergipe, o Instituto Social Micael, localizado em Aracaju, é um exemplo de escola que adota este método. O diretor e professor do Instituto, Paulo Eirado, esteve presente na palestra, representando a aplicação desta pedagogia em Sergipe, e comentou sobre os benefícios de se aplicá-la na educação infantil. “Na pedagogia Waldorf, o pensar, o sentir e o agir são trabalhados pedagogicamente, dentro do currículo das escolas que a aplicam. O foco é, principalmente, com crianças, por isso a ideia de trazer essa metodologia para as crianças das escolas. Talvez, a fase educacional mais importante da vida seja a primeira infância, a educação infantil. Porque ali é a base para toda a escolaridade futura”, disse.
O professor também explicou que este é um método presente em mais de 3 mil escolas de 60 países do mundo, como a Tanzânia, o Congo, os Estados Unidos, a Alemanha e nações do Oriente Médio.





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