
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), realizou nesta quinta-feira, 14, o II Seminário Estadual de Atenção ao Paciente com Doença Renal Crônica. A ação reuniu profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de diversos municípios sergipanos, com o objetivo de fortalecer a qualificação técnica das equipes que atuam diretamente na prevenção, identificação precoce e acompanhamento de pacientes com doenças renais crônicas na rede pública estadual.
Voltado para médicos e enfermeiros, o seminário promoveu atualização sobre diagnóstico, manejo clínico, prevenção e tratamento da doença renal crônica, considerada um dos principais desafios para a saúde pública. A programação também reforçou a importância da integração entre a Atenção Primária e os demais níveis de Atenção Integral à Saúde, ampliando o acesso da população a um cuidado mais resolutivo, humanizado e preventivo, especialmente diante do crescimento de casos relacionados à hipertensão arterial, diabetes e outros fatores de risco.
O nefrologista Laurisson Costa destacou a relevância da capacitação para os profissionais que atuam diretamente nas unidades básicas de saúde e reforçou que a prevenção continua sendo a principal estratégia no enfrentamento da doença renal crônica. “A doença renal crônica é uma condição muito prevalente e, muitas vezes, silenciosa. O paciente pode apresentar perda importante da função renal sem manifestar sintomas. Por isso, aproximar a Atenção Primária da atenção especializada é fundamental para fortalecer o diagnóstico precoce, evitar agravamentos e reduzir a necessidade de terapias mais complexas, como hemodiálise e diálise peritoneal”, afirmou.
Ao abordar os fatores de risco da doença, o médico Laurisson Costa ressaltou que hipertensão e diabetes seguem entre as principais causas de comprometimento renal. “O foco deve estar no controle dessas doenças e na conscientização da população. Exames simples conseguem identificar alterações ainda nas fases iniciais, permitindo um acompanhamento mais eficaz e reduzindo os riscos de progressão da doença”, disse.
A enfermeira do município de Divina Pastora, Grazielle Silva, enfatizou a importância da capacitação para os profissionais da Estratégia Saúde da Família, que atuam diretamente nas comunidades. “É fundamental que o Estado promova capacitações como esta para os profissionais da Atenção Primária. Somos nós que estamos na linha de frente acompanhando os pacientes, identificando fatores de risco e orientando sobre prevenção antes mesmo do surgimento da doença. Nós acompanhamos pacientes com diabetes, hipertensão, obesidade e outras condições, que podem evoluir para problemas renais. Esse olhar mais próximo da comunidade permite encaminhar os usuários para o acompanhamento adequado e fortalecer o cuidado integral dentro da rede pública”, destacou.
O médico do município de Indiaroba, Bruno César Barros de Moraes, informou que o seminário contribui diretamente para a atualização profissional e para o fortalecimento da assistência ofertada pelo SUS. “Essa capacitação nos permite rever condutas, atualizar conhecimentos e pensar estratégias para evitar que os pacientes cheguem aos estágios mais graves da doença renal. Isso melhora a qualidade do atendimento e ajuda a reduzir a sobrecarga dos serviços de alta complexidade. A informação precisa chegar às comunidades, principalmente às mais distantes. E esse trabalho é feito por toda a equipe de saúde, que orienta, acompanha e fortalece as ações preventivas junto aos pacientes”, afirmou.
Cuidados e prevenção
O médico Laurisson Costa também alertou para a importância da adoção de hábitos saudáveis e do uso consciente de medicamentos na prevenção das doenças renais. “A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, hidratação adequada, controle da hipertensão e do diabetes, além da adesão correta ao tratamento medicamentoso, são fundamentais para prevenir a doença renal crônica. Também é importante evitar o uso indiscriminado de anti-inflamatórios, porque o uso prolongado desses medicamentos pode causar danos aos rins, inclusive em pessoas que ainda não sabem que possuem alterações renais”, alertou.







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