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Perímetros irrigados do Governo de Sergipe impulsionam produção de alimentos típicos do São João

No Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, produtores se organizaram para ampliar a oferta de milho, amendoim e macaxeira durante o período junino, u...

01/06/2026 às 15h27
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Fotos: Erick O'Hara
Fotos: Erick O'Hara

Ao longo de três anos e meio, o Governo do Estado tem investido no fortalecimento da agricultura dos cinco perímetros irrigados de Sergipe  (são seis, ao total, sendo cinco com vocação agrícola e um com vocação pecuária), a fim de impulsionar, entre outras culturas, a produção de milho verde, macaxeira e amendoim, especialmente com a aproximação do período junino e o aumento da demanda turística no estado nesta época do ano. 

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Dados da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), apontam que a produção do milho irrigado deve crescer entre 12% e 15% este ano, alcançando cerca de oito mil toneladas, o equivalente a 24,2 milhões de espigas. Quanto à macaxeira, entre janeiro e março de 2026, a produção foi de 909,6 toneladas, volume 9,3% maior que o mesmo período de 2025. A produção de amendoim deve manter a tendência de alta ao longo de 2026, sendo que, nos primeiros três meses deste ano, a produção somou 242,3 toneladas, crescimento de 4,3% sobre o mesmo período do ano passado. 

O agricultor Antônio Barbosa, de 23 anos, é morador do Povoado Brejo, em Lagarto, e sua propriedade integra o Perímetro Irrigado Piauí, o que, segundo ele, garante maior segurança para o plantio durante o verão. “A irrigação tem sido fundamental na produtividade. Em períodos comuns, a produção gira em torno de dez toneladas de milho, com faturamento médio de cerca de R$ 20 mil. No São João, a demanda dobra e a comercialização fica entre 30 e 40 toneladas, aumentando para até R$ 50 mil”, especificou, ao acrescentar que, depois do São João, o mercado volta à normalidade, mas a produtividade segue ao longo do ano graças à irrigação. “O acesso à água do sistema é essencial para garantir a continuidade da produção”, completou. 

O produtor Genivaldo de Azevedo destacou os avanços proporcionados pelo perímetro irrigado na agricultura familiar da região. Numa área de quatro tarefas (pouco mais de um hectare), ele cultiva, atualmente, macaxeira e amendoim, mas disse que a irrigação permitiu ampliar significativamente a diversidade de culturas ao longo do ano. No caso da macaxeira, o produtor disse que o ciclo é mais longo, variando entre oito e dez meses, e que uma tarefa pode render cerca de mil quilos do produto. Atualmente, o quilo da macaxeira é comercializado por cerca de R$ 1,50, ainda na roça, gerando para o produtor uma renda aproximada de R$ 10 mil no período junino. Ele também destacou a importância de programas governamentais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que adquire do pequeno agricultor os insumos que são distribuídos. “O perímetro irrigado mudou completamente a nossa realidade. Além do período junino, outro fornecimento que merece destaque é o programa do governo, o PAA. Vendemos quase toda a nossa produção de macaxeira para o governo”, frisou.

O agricultor Adelmo Bispo da Silva, de 40 anos, também de Lagarto, comemora os avanços trazidos pelo perímetro irrigado. Dono de uma propriedade de um hectare e meio no município, ele cultiva amendoim, batata-doce, milho verde, maracujá e quiabo. Segundo ele, a chegada da irrigação transformou completamente a realidade das famílias produtoras. “Melhorou cem por cento”, reconheceu. 

Às vésperas do período junino, o produtor destaca que a procura pelo amendoim cresceu significativamente, fazendo a produção praticamente dobrar. Adelmo revelou que, antes do São João, a média de venda ao mês é de 30 a 40 toneladas, enquanto que, na época junina, o volume pode chegar a 100 e até 120 toneladas. “O amendoim continua sendo a principal cultura da minha propriedade e a principal fonte de renda da família. Moramos aqui e comercializamos a produção na Ceasa de Sergipe, em Aracaju. Sem a irrigação, seria mais complicado”, reconheceu.

Vendas

Conhecido como Gago do Amendoim, o comerciante Sebastião Santos de Souza mantém, há mais de 30 anos, a tradição familiar de um ponto de venda na Ceasa. Segundo ele, a oferta de amendoim neste ano está maior em comparação ao ano passado, impulsionada pela boa produção agrícola e pela demanda das festas juninas. “Graças a Deus, não vai faltar amendoim para ninguém”, afirmou, revelando, ainda, que, somente na véspera de São João de 2025 foram comercializados cerca de 1.500 sacos de amendoim, volume equivalente a um caminhão e meio do produto. A expectativa para este ano é repetir ou até superar as vendas.

Há mais de três décadas trabalhando exclusivamente com milho na Ceasa de Aracaju, o comerciante Tarcísio dos Santos afirmou que o período junino representa a fase mais lucrativa do ano para o setor. Ele revelou que a irrigação e o acesso ao crédito rural permitiram crescimento contínuo da produção. “Nunca houve escassez, sempre houve aumento de produção por, pelo menos, quatro anos”, destacou.

Em dias comuns deste mês de maio, Tarcísio disse que comercializa cerca de cinco mil espigas. Durante o São João, esse número pode facilmente ultrapassar dez mil unidades diárias. O aumento nas vendas chega a, aproximadamente, 90%, impulsionado pela procura de consumidores, mercados, delicatessens, escolas e estabelecimentos comerciais. “É como um décimo terceiro para o comerciante de milho”, comparou.

O comerciante Jackson Acioli Nascimento Filho, conhecido como Jackson do Inhame, espera que a comercialização de macaxeira cresça até o final do mês. “No ano passado, chegamos a vender entre duas e quatro toneladas por dia. Hoje, estamos trazendo menos mercadoria porque a saída ainda não aumentou, mas acreditamos que, até o final deste mês, o comércio dará uma aquecida”, pontuou. 

Comparativo

O estado de Sergipe conta com cinco perímetros irrigados: Califórnia (Canindé de São Francisco), Jacarecica I (Itabaiana), Jacarecica II (entre Areia Branca, Malhador e Riachuelo), Poção da Ribeira (Itabaiana) e Piauí (Lagarto). Em 2025, eles produziram 7.110,5 toneladas de milho, volume 13% superior ao registrado em 2024. Parte significativa da safra é destinada às festas juninas, período em que a expectativa é ultrapassar cinco milhões de espigas colhidas. Além do abastecimento do mercado sergipano, a produção também é comercializada em estados vizinhos, como Alagoas e Bahia.

Outro produto que se expandiu foi a macaxeira irrigada. Entre 2023 e 2025, eles produziram 11.636,8 toneladas da raiz, numa área de 611,46 hectares, movimentando cerca de R$ 22,9 milhões. Segundo a Coderse, fatores como irrigação, solo fértil e altas temperaturas favorecem o desenvolvimento da cultura, permitindo colheita em até 180 dias.

Já o amendoim irrigado tem uma trajetória de crescimento e valorização no estado. Em 2025, os agricultores produziram 870,3 toneladas, avanço de 9,5% em relação a 2024. O valor estimado da produção chegou a R$ 5,3 milhões, aumento de 20%.

Além do crescimento da produção agrícola, os perímetros irrigados também fortalecem outras cadeias produtivas. No caso do milho, restante da colheita é utilizada na fabricação de silagem para alimentação animal, contribuindo para a pecuária leiteira em propriedades próximas às áreas irrigadas. Já no amendoim, etapas como seleção, beneficiamento e cozimento agregam valor ao produto antes da distribuição para feiras e mercados. 

Com crescimento sustentado nas principais culturas tradicionais do período junino, a agricultura irrigada segue ampliando a geração de emprego, renda e abastecimento alimentar em Sergipe.

Abastecimento

A Central de Abastecimento de Sergipe (Ceasa), em Aracaju, já registra aumento no movimento de comercialização de produtos típicos da época, como milho, amendoim e macaxeira. De acordo com o gestor da unidade, Roberto Marques, a expectativa é de crescimento nas vendas em 2026, impulsionada pela produção agrícola irrigada e pela tradição das festas de São João no estado.

Segundo ele, os preços tiveram reajuste moderado em relação ao ano passado, variando entre 10% e 12%. Apenas no início de maio, a Ceasa recebeu cerca de 45 mil quilos de milho, o equivalente a aproximadamente 142 mil espigas comercializadas no período. Municípios como Lagarto, Malhador e Riachuelo concentram parte da produção de milho destinada ao abastecimento do mercado sergipano. “Além de a produção local ser fortalecida pelos perímetros irrigados mantidos pelo Governo do Estado, a entrega de sementes no período adequado e o suporte técnico aos agricultores contribuíram diretamente para o bom desempenho da safra deste ano”, informou.

Além do aumento na movimentação comercial, a Ceasa também ampliou a geração de empregos temporários durante o período junino. A administração registrou crescimento de 20% no cadastro de carregadores, em comparação com 2025. Atualmente, o espaço reúne cerca de 291 permissionários e passa por investimentos em infraestrutura e segurança coordenados pela Coderse.

Entre as melhorias implantadas na Ceasa citadas pelo gestor estão a ampliação do sistema de monitoramento com câmeras de alta resolução, reforço na limpeza e coleta de resíduos e o anúncio de obras de reestruturação da pavimentação da Ceasa, previstas para começar após o período junino.
 

Fotos: Erick O'Hara
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O agricultor Antônio Barbosa, de 23 anos, é morador do povoado Brejo, em Lagarto | Fotos: Erick O'Hara
O agricultor Antônio Barbosa, de 23 anos, é morador do povoado Brejo, em Lagarto | Fotos: Erick O'Hara
O produtor Genivaldo de Azevedo destacou os avanços proporcionados pelo perímetro irrigado | Fotos: Erick O'Hara
O produtor Genivaldo de Azevedo destacou os avanços proporcionados pelo perímetro irrigado | Fotos: Erick O'Hara
O agricultor Adelmo Bispo da Silva, de 40 anos, também do perímetro de Lagarto, o Piauí | Fotos: Erick O'Hara
O agricultor Adelmo Bispo da Silva, de 40 anos, também do perímetro de Lagarto, o Piauí | Fotos: Erick O'Hara
O gestor da Ceasa, Roberto Marques | Fotos: Erick O'Hara
O gestor da Ceasa, Roberto Marques | Fotos: Erick O'Hara
Conhecido como Gago do Amendoim, o comerciante Sebastião Santos de Souza mantém há mais de 30 anos a tradição familiar | Fotos: Erick O'Hara
Conhecido como Gago do Amendoim, o comerciante Sebastião Santos de Souza mantém há mais de 30 anos a tradição familiar | Fotos: Erick O'Hara
Tarcísio dos Santos afirmou que o período junino representa a fase mais lucrativa do ano | Fotos: Erick O'Hara
Tarcísio dos Santos afirmou que o período junino representa a fase mais lucrativa do ano | Fotos: Erick O'Hara
O comerciante Jackson Acioli Nascimento Filho, conhecido como Jackson do Inhame, espera que a comercialização de macaxeira cresça até o final do mês | Fotos: Erick O'Hara
O comerciante Jackson Acioli Nascimento Filho, conhecido como Jackson do Inhame, espera que a comercialização de macaxeira cresça até o final do mês | Fotos: Erick O'Hara
Fotos: Erick O'Hara
Fotos: Erick O'Hara
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Plantação de macaxeira | Fotos: Erick O'Hara
Plantação de macaxeira | Fotos: Erick O'Hara
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